Ads 468x60px

sexta-feira, agosto 16, 2013

[Resenha] O Cortiço - Aluísio Azevedo

Título: O Cortiço
Volume: 1
Autor: Aluísio Azevedo
Editora: Abril
Número de páginas: 284


João Romão é um português mesquinho e ambicioso, que engana uma escrava, Bertoleza, a qual trabalha de domingo a domingo, sem descanso. Através de muita desonestidade, ele consegue juntar dinheiro e compra todo o terreno ao redor de sua venda, inclusive uma parte da pedreira que se encontra logo atrás desta. Nesse terreno constrói cem casinhas e abre o Cortiço São Romão. Quando quer comprar o quintal de seu vizinho, Miranda, para expandir seus negócios, este lhe nega e começa a sentir uma inveja enorme de João. É aí que eles começam a se odiar.

Passado um tempo, Miranda consegue o título de Barão, o que faz com que os papeis se invertam e que João passe a ter inveja dele. Nisso, ele começa a gastar dinheiro com si mesmo, coisa que nunca havia feito antes, pois o que mais importava para ele eram seus negócios. No cortiço, a vida segue como sempre. As lavadeiras continuam fazendo seu serviço, os domingos continuam animados, os trabalhadores continuam com sua rotina, as crianças continuam a aprontar.

Jerônimo, que João contratou para controlar os serviços na pedreira, é um exemplo de bom trabalhador, esposo fiel e pai preocupado. Mas isso muda, quando ele conhece Rita Baiana, uma mulata que o conquista e o leva a se transformar em um típico malandro brasileiro. Pombinha que sempre foi um exemplo de menina, por conta de influências, acabou se tornando uma prostituta. Muitos personagens morreram ou tiveram fins trágicos.

Um novo cortiço é construído na mesma rua, e os moradores do São Romão o chamam de Cabeça-de-gato. Há uma rixa enorme entre os moradores dos dois cortiços. Porém, depois de um incêndio que toma conta do São Romão, a realidade muda. João o reconstrói, mudando seu nome para Vila São Romão e ele se torna voltado à classe média, o que faz com que a maioria dos seus inquilinos se mude para o Cabeça-de-gato. Ele finalmente consegue seu título de Barão, e pede a mão da filha de Miranda. Mas ainda há um problema: como se livrar de Bertoleza.
Esse livro foi escrito em 1890, no contexto do Realismo e Aluísio Azevedo consegue mostrar com clareza como era a realidade social da época. Havia muita inveja, muitas brigas, muita sujeira, muita violência, prostituição, traição, o que não difere em muito da nossa realidade. E ainda, podemos perceber, com o exemplo de Pombinha, como o meio em que se vive pode interferir no futuro de uma pessoa.

O cortiço, na verdade, se mostra como o protagonista, onde várias histórias se desenvolvem. É um livro divertido, até certo ponto, mas é também recheado de tragédias. Apesar de ter uma linguagem antiga, é de fácil compreensão. Os personagens são tão bem apresentados que é impossível não criar sentimentos, tanto bons, como de repulsa por eles. É uma das poucas obras nacionais que eu gosto. Tem muita coisa que daria para contar ainda, mas espero que eu tenha conseguido sintetizar bem.

Recomendo a todos! :)


0 comentários:

Postar um comentário

Comente e faça um blogueiro feliz!